domingo, junho 22, 2014

Ela corre no meu sangue



Sabe quando você olha as estrelas e fica a viajar pelo céu como se aquela fosse a ultima noite da sua vida?  E aquelas ocasiões quando viajamos para um lugar pacato e bate aquela tristeza quando o tempo acaba e chega a hora de voltar pra casa? Quem sabe você já ficou na sala em dias de frio, deitado no sofá, de pijama assistindo comédia romântica e chorou dez vezes ao final de cada filme?  Você já deitou nos bancos da praça com uma boa companhia e ficou jogando conversa fora a ponto de esquecer que precisava voltar pra casa? Já dirigiu numa autoestrada ouvindo seu cantor favorito e ultrapassou a velocidade quando tocou aquela música que te lembrava dum amor de infância? Já olhou nos olhos de alguém como se tentasse enxergar o segredo que havia por detrás de tanta beleza? Já passou um fim de tarde sem se preocupar com o relógio, apenas observando o pôr do sol?  Não? Acho que isto só acontece com aqueles que nasceram em noites cheias de nostalgia, ou com aqueles cujos pais foram românticos ao ponto de escrever cartas de amor e gritar nas praças o tamanho que amavam uns aos outros. Talvez isso seja hereditário, não sei. Acredito que sou um deles. Filho da nostalgia, amante da beleza, apaixonado pelos olhares que me despertam curiosidade, sou herdeiro, escravo e refém da poesia que corria no sangue dos meus antepassados.  (Ronnie C Rocha)

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