Sabe quando você olha as estrelas e fica a viajar pelo
céu como se aquela fosse a ultima noite da sua vida? E aquelas ocasiões quando viajamos para um
lugar pacato e bate aquela tristeza quando o tempo acaba e chega a hora de
voltar pra casa? Quem sabe você já ficou na sala em dias de frio, deitado no
sofá, de pijama assistindo comédia romântica e chorou dez vezes ao final de
cada filme? Você já deitou nos bancos da
praça com uma boa companhia e ficou jogando conversa fora a ponto de esquecer
que precisava voltar pra casa? Já dirigiu numa autoestrada ouvindo seu cantor
favorito e ultrapassou a velocidade quando tocou aquela música que te lembrava
dum amor de infância? Já olhou nos olhos de alguém como se tentasse enxergar o
segredo que havia por detrás de tanta beleza? Já passou um fim de tarde sem se
preocupar com o relógio, apenas observando o pôr do sol? Não? Acho que isto só acontece com aqueles que
nasceram em noites cheias de nostalgia, ou com aqueles cujos pais foram
românticos ao ponto de escrever cartas de amor e gritar nas praças o tamanho
que amavam uns aos outros. Talvez isso seja hereditário, não sei. Acredito que
sou um deles. Filho da nostalgia, amante da beleza, apaixonado pelos olhares
que me despertam curiosidade, sou herdeiro, escravo e refém da poesia que
corria no sangue dos meus antepassados. (Ronnie C Rocha)
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