A poesia nem
sempre esteve comigo. Encontrei-a pelas ruas, nas esquinas, nas curvas duras da
vida, nos mares mais tempestuosos que o barco do meu destino me conduziu. Lembro-me
como se fosse hoje, que ela se apresentou a mim como uma saída para a angustia,
como uma amiga na solidão, como um escape das minhas tristezas e como uma forma
de dizer o que sinto. E ali durante aquele encontro, juramos ser amantes. Eu
seu amigo e ela minha fonte a jorrar pensamentos. Desde então ela, às vezes me
visita, me deixa alguns versos e parte deixando apenas seu rastro. Abandona-me
como amores falsos que não sabem o que é eterno. Então, fico num canto largado;
penso, escrevo e medito, choro, persigo e imploro que fiques comigo poesia, só
que agora para sempre. Mas, ela não me
permite ser seu dono, nem sequer aceita aliança. Ela tem espirito arredio, não se deixa domar
por poetas. Mesmo assim, já não vivo sem ela, me tornei dependente, sou escravo
desde o primeiro dia em que seus versos correram em meu sangue. (Ronnie C Rocha)
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