domingo, junho 22, 2014

Para ela



“Parei na beleza do sorriso, na singeleza de cada vogal e consoante que destilava como mel dos seus lábios. Na troca de olhares que me invadia como a luz do sol ao romper da noite, quando nos corredores nos esbarramos e trocamos rápidas palavras. Quando seus cabelos voaram ao vento, naquele dia em que estivemos lá, nas montanhas da tão imensa Minas Gerais. Parei, quando ao som de John Mayer ela dormiu no banco de traz do carro enquanto eu a espiava pelo espelho e contemplava tão grande encanto. Parei de repente e fiquei a olhar, as curvas, a alma, os olhos, os lábios, o cheiro, a imaginar o gosto do beijo, o calor do abraço e a emoção que sentiria caso pudesse apenas tocá-la. Quão grande formosura, tão rara que nem mesmo ela parece perceber. Depois de tudo, de um salto acordei e percebi que estava a compor devaneios. Em seguida deixei-a partir da lembrança, guardando lá na memória os olhos, o cheiro e o encanto que outrora me tirára o ar”  (Ronnie C Rocha)

Nova estação



“Deixe-me perceber as folhas caírem nesta virada de estação, e o show das flores ao desabrocharem, onde cada pétala surge com beleza incomparável. Cada cor, cada tipo, verde, vermelha, rosa, roxa, amarela, não importa, só quero ter tempo para assistir o espetáculo da natureza sendo regida pelo seu criador, se rendendo à sua majestade, se curvando diante de suas leis e formando um mundo que começa do preto e branco e se transforma no mais belo emaranhado de cores que enfeitam os dias desta primavera.” 
(Ronnie C Rocha)

Crianças


“Vejo a simplicidade no olhar das crianças. Elas interagem com o meio, se interessam pelo gosto e o cheiro das coisas. Não se importam com o amargo ou doce, simplesmente se atrevem. São desajeitadas, cambaleiam quando se arriscam a dar alguns passos; mesmo que não saibam andar. Sujam-se e não dão importância à opnião alheia. Seus olhos,  ainda que pequenos, enxergam os detalhes e não o todo que os cercam. Elas são tão pequenas, mas possuem um coração do tamanho do mundo. Fazem caretas quando não estão satisfeitas, são verdadeiras, não se deixam contaminar pela máscara da falsidade. Elas trazem em si todas as possibilidades. Por isso o seu mundo é sempre cheio de cores e pode se transformar, a qualquer tempo, em um playground onde a única preocupação é brincar sem se importar com o dia de amanhã”.  (Ronnie C Rocha)

Cansei



“Cansei da realidade, agora preciso de um pouco de ilusão.Enfadei-me com as estruturas eclesiáticas, sistemáticas demais para minha pobre intelectualidade. Enfastiei-me ao ver amores eternos que um dia se acabaram, ao saber que o  super-man é sensível à criptonita e que o Papai Noel é só um homem vestido com roupas vermelhas e barbas postiças. Chatiei-me ao saber que qualquer semelhança com os finais de novelas são meras coincidências e que os fogos de reveilon e as roupas brancas não garantem um ano seguinte melhor na virada de dezembro para janeiro. Sobremodo escandalizado em meio a tanta realidade, canse-mei dela; agora preciso de um pouco de ilusão. Quero acreditar nas juras de amores eternos, nos super-herois de minha infância, nas familias perfeitas dos comerciais de margarinas, nos casais felizes dos finais de novelas.  Quero ter fé nas luzes que enfeitam o natal e nos fogos que clareiam a noite de reveilon. Quero crer nas estruturas eclesiásticas que garantem pregar o amor, nas idéias  platônicas sobre o mundo das idéias, nos ideais quiméricos de Karl Marx e nas quinhentas e não sei quantas amizades utópicas que tenho no facebook. (Ronnie C Rocha)

Quando ela me invade



Mas, às vezes a poesia me invade. Rouba-me o sono, tira-me da cama me impulsionando a observar as estrelas em noites escuras de lua cheia. Então eu viajo, de uma letra a outra, das palavras às frases, e logo os dedos esticam e ouço aqueles tec, tec, tec. São os dedos a correr pelo teclado, tentado traduzir as mil paisagens que brotam em meus olhos quando vejo as estrelas. Fico boquiaberto, ao ver cada uma contente com o brilho que tem. Elas bailam como se fossem bailarinas ao som de orquestras, como cantigas de roda em canções de crianças. Ah! Poesia! Se eu pudesse faria de ti minha amada, amiga, amante, namorada, reservaria pra ti todas as minhas palavras e somente a ti eu seria fiel. Mas, você é de lua, em um dia me ama e o outro me deixa, então me vejo solitário, largado, jogado, num canto qualquer. Portanto, deixe-me voltar para a cama, devolva meu sono. Gosto de ti, mas não o bastante para viver de insônias. (Ronnie C Rocha)

Felling



“Amores verdadeiros permanecem, quando o encantamento da paixão cessa” (Ronnie C Rocha)